Everaldo Leite

20/12/2013

UM NATAL NA COREIA DO NORTE

Filed under: Uncategorized — Everaldo Leite @ 12:16 PM
Tags:

ImageA História deve ser mesmo “a ciência da infelicidade dos homens”, como já se escreveu. E o que seria lembrar Lenin, Stalin, Mao, Ho Chi Minh, Castro etc. que senão recordar uma história de tristeza, miséria e genocídio? O século vinte inaugurou o crime de massa como sistema de governo, rescindindo brutalmente com o que poderíamos chamar de um código mínimo dos direitos naturais da humanidade. O que se poderia refletir sobre isto hoje? A História, para ser uma ciência social fidedigna, precisa ser a memória do terror.

Não obstante, a América do Sul flerta atualmente com o comunismo. Sem a menor reserva, Venezuela, Bolívia, Equador, Argentina e Brasil divulgam através de seus líderes políticos et caterva as mesmas ideias infaustas que levaram a Rússia, a China, o Vietnã, Cuba e outros países a cometerem as maiores atrocidades, nunca antes imaginadas. Aos poucos, infelizmente, uma anomalia totalitarista vai se desenvolvendo e se organizando por aqui. A começar pela incitação à “luta de classes”, acendendo-se sistematicamente a animosidade entre grupos sociais: negros, brancos, homossexuais, religiosos, ambientalistas, produtores rurais, empregados, patrões etc. De fato, basta acessar as redes para verificar isso, elas estão coalhadas de novos rancores e invejas sociais.

Onde isso vai terminar? Não se pode saber facilmente, pois a história não é tão simples de se deduzir, se repetindo “a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”, como pensava Marx. Ela pode se repetir numa tragédia ainda maior, isso sim. O “Livro Negro do Comunismo”, uma obra muito respeitada entre os cientistas políticos sérios, traz um juízo não desprezível sobre o quanto pode ser ruim. URSS: 20 milhões de mortos; China: 65 milhões de mortos; Vietnã: 1 milhão de mortos; Coreia do Norte: 2 milhões de mortos; Camboja: 2 milhões de mortos; Leste Europeu: 1 milhão de mortos; América Latina: 150.000 mortos; África: 1,7 milhão de mortos; Afeganistão: 1,5 milhão de mortos. Com o troféu mais sinistro indo para Pol Pot, que em três anos e meio assassinou aproximadamente um quarto da população total do seu país, o Camboja.

A dimensão criminosa do comunismo parece não demover os indivíduos da esquerda de suas obsessões revolucionárias, todavia. Os símbolos do comunismo podem ser encontrados em todos os lugares, nas camisetas, janelas, fachadas, bandeiras etc., tidos como sendo normais, habituais, ao contrário dos símbolos nazistas, estes corretamente banidos do mundo civilizado. Nos cursos das Ciências Humanas e das Ciências Sociais Aplicadas, também não é incomum encontrar disciplinas ou matérias relacionadas ao marxismo, socialismo e afins. Muitos professores – muitos mesmo – são adeptos não somente dessas matérias, mas da doutrinação direta de sua plateia.

A minha proposta, portanto, para este natal, será imaginar como passarão esta data os famintos e desesperados norte-coreanos. Sabemos que um cristianismo clandestino ainda é mantido por famílias de lá. Certamente queimarão uma pouca madeira, a guisa de fogueira, e assarão a última galinha não confiscada pelo governo, aquela que conseguiram esconder embaixo de umas pedras durante todo o ano. Não haverá presépio, lógico. Não haverá troca de presentes, é claro. Acenderão um pequeno toco de vela – na verdade, o que restou da única fonte de energia oferecida pelos burocratas do Partido Comunista – e farão uma oração precária, mas de muita fé para o menino Jesus. Não sei o que pedirão a Deus neste momento, ou se vão apenas agradecer a própria sobrevida esquálida frente ao regime de escravidão em que estão, mas sei que irão se ajoelhar, haja vista não haver cadeiras nem mesas para servi-los.

Não podendo socorrê-los efetivamente, apenas arrazoarei comigo mesmo sobre o que deverá estar acontecendo por lá. Sentimentos de solidariedade e de fraternidade, fazer o quê. Pela experiência dos últimos anos, aproveitarei mesmo uma boa ceia e um razoável vinho. Mas, desta vez, não sem antes pedir ao Nosso Senhor o mesmo que Castro Alves, no século dezenove, suplicou quando conjeturou sobre o Navio Negreiro: “Senhor Deus dos desgraçados! Dizei-me vós, Senhor Deus! Se é loucura… se é verdade, Tanto horror perante os céus? Astros! noites! tempestades! Rolai das imensidades!” Varrei o comunismo da Coreia do Norte, tufão!

Anúncios

Crie um website ou blog gratuito no WordPress.com.