Everaldo Leite

16/01/2014

O PAPEL MENOR DO ECONOMISTA NA POLÍTICA

Filed under: Uncategorized — Everaldo Leite @ 10:16 PM

ImageA disciplina de Macroeconomia, inaugurada por Keynes, hierarquiza a atividade do economista como subordinada à política. Daí que, naturalmente, este profissional deverá ser cínico o quanto for preciso em sua operacionalidade técnica e burocrática para se manter ativo. Cínico, esclareçamos, porque vende sua competência a qualquer tipo de cliente, seja da direita ou da esquerda, ortodoxo ou heterodoxo, monetarista ou desenvolvimentista etc., bastando este pagar o preço apropriado. Não há nada de errado nisto, é claro, já que tal minoração dos profissionais de economia no campo do setor público é somente o resultado de uma escolha metodológica da categoria.

O lado positivo disso é que existem mecanismos disponíveis para todos os gostos, em termos de políticas fiscal, monetária, cambial e, porque não, industrial. Um governo expansionista, por exemplo, solicita aos seus economistas que descarreguem sobre a nação políticas generosas e facilidades e basta abrirem suas caixas de ferramentas e está tudo lá, tudo o que é necessário, como foi prescrito pelos papas do expansionismo. Efeitos colaterais aqui e ali: lançam mão de outras medidas para salvaguardar os interesses daquele governo e evidentemente para defender suas próprias reputações.

O grande engano, assim sendo, está em acreditar que esses economistas estão realmente agindo com vistas ao melhor para a sociedade. Existem os malucos, obviamente. Alguns se dizem portadores de virtudes que outros economistas não têm, pois são paladinos da “justiça social” e da “distribuição equânime”. Outros lutam há tantos anos contra moinhos de vento que não podem se desvencilhar de seus conceitos e preconceitos cultivados desde o tempo em que se amarrava cachorro com lingüiça. Veja, por exemplo, o caso do Bresser-Pereira e sua obcessão com o câmbio. Ou o caso do Guido Mantega e sua antediluviana psicose desenvolvimentista.

Ora, os normais sabem que ideias têm consequências. Mas, se o risco maior é ficar desempregado ou marginalizado no caso de agirem de acordo com esses conhecimentos sobre causa e efeito econômicos, antes descer às instâncias dos lacaios. Portanto, deve-se dizer que o papel menor dos economistas na política é deliberado, um tipo de adaptação face à evolução forte do poder político e dos seus interesses sobre os cidadãos. Adaptação esta que também pode ser observada entre os cães (aliás, cinismo é um comportamento tipicamente canino) que vivem entre os humanos. Seus primos lobos, ao preferirem a liberdade, estão sendo extintos pouco a pouco.

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