Everaldo Leite

09/06/2013

DIABÓLICA COMÉDIA

Filed under: Uncategorized — Everaldo Leite @ 11:04 AM

ImagemNapoleão Bonaparte teria dito que “a História é um conjunto de mentiras sobre as quais se chegou a um acordo”, e Adolf Hitler que, “quanto maior a mentira, maior é a chance de ela ser acreditada”. Bem, os dois não costumam ser grandes referências morais, mas entendem muito sobre esse tema. Daí que uma das “mentiras de sucesso”, pode-se assegurar, é aquela dos marxistas brasileiros que faz os inocentes úteis acreditarem que, no capitalismo, para que alguém ou algum país se torne rico, necessariamente outro alguém ou país terá de ficar mais pobre. Quer dizer, se algum pipoqueiro começar a ascender em sua vida financeira, pelo trabalho e pela poupança, automaticamente se deve reconhecer que alguma pessoa no país está ficando mais pobre em função disso. Tal mentira se apega, outrossim, a um entendimento tortuoso sobre Pareto, para quem uma situação econômica seria ótima se não fosse possível melhorar a situação ou a satisfação de um agente sem degradar a situação ou a satisfação de qualquer outro agente econômico. Por fim, ela evoca concepções débeis, como as do economista alemão Friedrich List e do nosso contemporâneo Ha-Joon Chang, que defendem a falaciosa ideia de que os países ricos cresceram maliciosamente e “chutaram a escada” para que os pobres ficassem no chão da miséria e da dependência.

De fato, culpar o outro pelos seus próprios fracassos é um expediente muito utilizado no Brasil e os chamados estruturalistas ou desenvolvimentistas, de ontem e de hoje, se apegaram a isto como sendo o mais caro de seus axiomas ocultos – ou, melhor definindo, de seus engodos. Unindo marxismo com keynesianismo e “coitadismo” formularam grandes promessas de crescimento e distribuição tendo o Estado como a grande mola-mestra da economia, por fim corrompendo totalmente a lógica econômica liberal, para a qual o crescimento de uma economia de mercado depende de poupança, investimentos e produtividade. Desde os primeiros trabalhos da Cepal até os últimos lançamentos da escória pós-keynesiana brasileira (que, inclusive, se utiliza da estrutura e credibilidade do Ipea) o lixo ideológico do “pobre versus rico”, do “Estado versus empresário”, está presente em espírito e ossatura na preparação, elaboração e desenvolvimento de toda e qualquer política econômica – industrial, cambial, fiscal e monetária – que os países latino-americanos puderem suportar, notadamente o Brasil. Em termos concretos, desde meados do século passado, fundamentados no descalabro e no complexo de inferioridade, realiza-se por aqui a maior experiência de economia – ao lado da engenharia social – que já se ouviu falar desde a implementação do socialismo. Os resultados não poderiam ser outros que senão a formação de um país industrializado, mas decididamente subdesenvolvido econômica e politicamente, e o alargamento sistemático da ineficiência.

Hoje, depois de alguns anos de relativa separação entre Estado e setor privado, os políticos anacrônicos que estão no poder retornaram forçosamente para a ordem do dia as mesmas velhas lógicas “subdesenvolvimentistas” (e revanchistas), cujos fundamentos só podem ser encontrados em antediluvianos textos unicampistas e legitimados pelas rodas revolucionárias de acadêmicos bisonhos. O grosso do Governo Federal, logo, se agarra a um corpo teórico que, não raramente, dissimula a coerência das experiências do mundo real; hierarquiza os agentes econômicos de modo a atender sua ideologia; afiança a interferência do setor público em setores ou em situações econômicas, onde deveria imperar o sistema de preços; propaga que “a história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa” (frase muito proferida nos meios letrados, mas sem nenhuma prova considerável), na intenção de desvalorizar conceitos não “progressistas”; enfim, determina sua própria escala de valores e a impõe ao mercado, apostando equivocadamente em sua submissão. Destarte, os prognósticos mais sérios chegaram a um nível baixíssimo de otimismo.

Indubitavelmente, as teses que vem sendo recolocadas em prática no Brasil pela equipe econômica do governo não têm conseguido alcançar os efeitos magníficos tão esperados, tendo, na verdade, feito a economia paralisar quase completamente, com inflação indesejada e real ameaça de desemprego no médio prazo. Seu rascunho de política econômica se fixou exclusivamente no incremento do consumo através do crédito concentrado (sobretudo o imobiliário) e dos gastos públicos desordenados, criando – num primeiro momento – a falsa impressão de aumento sustentável da demanda, estimulando o investimento nos mercados mais próximos do consumidor final, mas perdendo eficácia e entusiasmo a partir de 2011, quando os empresários começaram a perceber o ardil. Ora, a insistência radical no incentivo ao crescimento da demanda – única arma do senhor Guido Mantega – somente agravou a situação, dilatando os efeitos agudíssimos de uma barafunda intrínseca aos tipos de preferências deste governo, que sabemos estar vinculado ao curtoprazismo e às eleições. Ademais, é evidente que a falta de coordenação natural do mercado e a retração prudencial da economia se devem ao fator “intervenção estatal”, não às crises americana e europeia, como talvez queiram fazer acreditar parte daquela esquerda esquizofrênica oficial.

Se existe alguma boa notícia para a nação, é a de que as políticas desse governo estão dando com os burros n’água mais cedo do que o esperado, o que o levará a tentar rever suas premissas absurdas. Ou não.

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