Everaldo Leite

24/05/2013

PORQUE DEVEMOS DAR ATENÇÃO A ESCOLA AUSTRÍACA?

Filed under: Uncategorized — Everaldo Leite @ 8:04 PM

ImagemHá um sentimento esquisito no ar, de deslocamento, especialmente agora, quando os países atravessam uma crise cujas consequências tem sido de grandes proporções. Como solução mais recorrente os governos – com poucas exceções – evocaram os keynesianos, pós-keynesianos e neokeynesianos, que vêm apontando falhas de mercado para todo lado enquanto propõem Estado para toda obra. Desde então, pela regra, (i) os bancos criam dinheiro de modo vertiginoso, para acolher devidamente o acréscimo artificial de demanda; (ii) o crédito é oferecido em volumes extraordinários, (iii) levando os consumidores a gastarem o que não pouparam; (iv) os empresários observam o ambiente e, diante de tamanhas intervenções e efeitos inesperados destas, (v) decidem restringir suas próprias ações e aguardam melhores oportunidades. Os resultados, longe do prometido pelos policymakers, têm sido instabilidade de preços, estagnação e, no médio prazo, desemprego.

Do outro lado, partidários da economia de mercado, os economistas da denominada Escola de Chicago, continuam defendendo que algo de bom sairá de seu modelo de equilíbrio, tendo ainda como princípio a maximização e como pressuposto a constância. Ora, seu ideário consiste exclusivamente em manter a tese de que o modelo de equilíbrio descreverá de forma muito aproximada a realidade, assim como explicita que, em todo o caso, as falhas do setor público serão sempre superiores às que se podem identificar no setor privado. Sendo assim, se a realidade é muito parecida com o equilíbrio competitivo, então o mercado real é eficiente no sentido paretiano e não é preciso intervir no mesmo, especialmente se sabendo – como efetivamente acontece – que a ação combinada de políticos, votantes e burocratas também não está isenta de graves falhas. Contraditória com a realidade, a Escola de Chicago tem se colocado em uma posição facilmente criticável.

Logo, não é por acaso que economistas e estudantes de Economia se pegam muitas vezes insatisfeitos com o que essa Ciência tem a oferecer quando precisam compreender diversos fenômenos econômicos e/ou necessitam revisar suas informações. Essa dificuldade advém não raramente desse verdadeiro obstáculo que é encaixar o que efetivamente ocorre na realidade prática, e seus desdobramentos, nas teorias econômicas disseminadas curricularmente pela academia e pela maioria dos livros-texto. Ou vice-versa, quando quer acomodar a presunção na experiência. Alguns lançam mão de métodos econométricos para extrair quaisquer informações relevantes, outros preferem abstrair fatores intrínsecos de desequilíbrio para enquadrar as circunstâncias, entretanto, percebem quase sempre que não há como oferecer uma interpretação específica para temas gerais. Daí, o sentimento esquisito no ar, de deslocamento.

Não que a Economia não tenha produzido alguns pressupostos fundamentais para se compreender diversas experiências que distorcem o processo social, a questão é que as verídicas deformidades conhecidas não são as mesmas que os teóricos neoclássicos, keynesianos e monetaristas apresentaram, por décadas, aos estudantes e aos profissionais que atuam no mercado. Nos modelos utilizados ainda se olha para o universo econômico da mesma forma como se faz nas ciências naturais, estabelecendo-se objetos que se movem de modo constante, num tempo linear, rumo a um fim conhecido ou altamente provável, o chamado “equilíbrio”. Numa tentativa contrária, talvez somente a Escola Austríaca de Economia ofereça melhores diagnósticos e respostas ao tratar o mundo de forma mais realista, dinâmica e incerta, conforme ele verdadeiramente se perpetra.

Devemos, assim sendo, dar atenção à Escola Austríaca de Economia, que vem demonstrando, com grande competência, que o que importa num processo social completo não é o homo oeconomicus – de comportamento probabilístico, maximizador e mecanizado – e sim o homo agens (caracterizado por Mises em seu livro Ação Humana), cujo “o incentivo para qualquer ação é a insatisfação, uma vez que ninguém age a não ser que sinta alguma insatisfação e avalie que uma determinada ação venha a melhorar seu estado de satisfação, ou seja, aumentar seu conforto, sensação de alegria ou de realização, diminuindo, portanto, seu desconforto, frustração ou insatisfação”, segundo o economista Ubiratan Jorge Iorio. Mas não somente isto, a Escola Austríaca traz à luz (i) uma teoria da ação frente à teoria da decisão dos neoclássicos; (ii) o subjetivismo frente ao objetivismo dos neoclássicos; (iii) a possibilidade de erro empresarial puro frente à racionalização a posteriori de todas as decisões; (iv) o caráter subjetivo que os custos têm frente ao conceito de custo objetivo neoclássico; (v) o formalismo verbal lógico frente à formalização matemática dos neoclássicos; (vi) sua conexão mais sólida da teoria com o mundo empírico etc., como também expõe o economista Jesus Huerta de Soto. Last but not least, amolda o estudo de Economia à dimensão economy, perdida desde a instituição da dimensão economics.

De fato, não há aqui como aprofundar em detalhes específicos acerca das conquistas da Escola Austríaca de Economia, o que deve ser realizado na prática por aqueles que pretendem alcançar novos conhecimentos no âmbito das Ciências Econômicas, todavia se pode garantir que, conforme o entendimento dos discursos de autores como Böhm-Bawerk, Mises, Hayek, Rothbard e Kirzner começam a fazer parte (metodológica ou teórica) de suas investigações a respeito da realidade econômica, certamente serão enormes as chances de que novas e mais adequadas conclusões se materializem, e se disso depender o seu trabalho (ou mesmo o seu emprego) ou a sua reputação, ao menos irá garantir uma veracidade muito menos questionável junto aos seus patrões, empregados ou amigos do que aquelas advindas das especulações e engenhos neoclássicos, marxistas ou keynesianos. Ora, na pior das hipóteses um leitor da Escola Austríaca se torna menos ignorante!

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