Everaldo Leite

02/05/2013

O DIZ QUE DIZ DOS ECONOMISTAS

Filed under: Uncategorized — Everaldo Leite @ 2:01 AM

Por Josias Cesalpino de Almeida – Advogado

ImagemAo rever os arquivos, deparei-me com o artigo “A falsificação do discurso econômico” (Jornal Opção de 6/1/2013, edição nº 1957, página 12), do economista Everaldo Leite, que se reporta à matéria na qual a “Veja”, já no final de 2012, fez pilhéria: “Os economistas erram tanto quanto cartomantes e videntes”. A repercussão de matéria jornalística nada tem de mal em si mesma, sendo a mais das vezes de inegável proveito para os leitores em geral e útil para estudos mais percucientes ou prospectivos. Frase-janela da matéria: “Pensa-se comumente que os péssimos efeitos das políticas econômicas junto à sociedade foram determinados pelo ‘maldito mercado’, pela ‘terrível conjuntura internacional’, pela ‘alarmante safra ruim’, mas nunca por um entendimento acerca dos limites teóricos e técnicos do agente público em sua altivez deslumbrada’” (sic). Fica evidente que o objetivo do articulista era criticar a política econômica do governo (?) Dilma.

Nisto o autor obrou bem e acertou na mosca, pois, a rigor, nos mandatos lulopetistas inexiste política econômica digna dessa expressão. O que houve — e há — é uma governança totalmente errática. A grande “gestora” empurrada por Lula no eleitorado incauto ou portador de miopia ideológica vem fazendo um verdadeiro simulacro de governo. É uma desoneração tributária aqui, outra ali; uma manipulação de dados concernentes ao PIB (leia-se pibinho) mais à frente; acolá, um faz de conta que 71 reais ao mês, a título de esmola tem o condão de tirar alguém da miséria; um incessante inchaço da máquina administrativa, seja pelos 40 ministérios, seja pelo estímulo a aliados no Congresso, que também abusam das burras públicas. Enfim, os petistas no poder são um caso que já deveria ter sido estudado pelos cientistas sociais sérios, livres, sem amarras ideológicas, dotados de credibilidade [não vale a academia encabrestada, haja vista a sua propensão à benevolência com qualquer governo dito de esquerda]. O populismo, a demagogia, o aparelhamento do Estado, a fixação na ideia autoritária de controlar a imprensa [parte do sonho mal disfarçado de implantar aqui uma república “popular/sindicalista”], tudo isso deve ser objeto de vigilância e crítica permanente de todos os cidadãos que amam a liberdade neste país. E uma vez que não dispomos de uma oposição parlamentar séria e consistente, que a imprensa produza essa crítica.

Entretanto, espantou-me no artigo em questão a frase: “… nem a escola clássica, nem o marxismo-keynesiano têm algo realmente sólido para oferecer quando se pensa em modelos completos e eficientes…”. Parece haver duas proposições equivocadas nesse trecho: 1ª) o marxismo não propôs nenhum modelo no sentido do artigo em análise. Marx fez uma crítica dos fundamentos do capitalismo, da voracidade do sistema calcado na propriedade privada dos meios de produção e, principalmente, da apropriação da mais-valia. Vale dizer: Karl Marx discorreu sobre a estrutura e os fundamentos do sistema de produção fundado no excedente econômico em poder dos particulares, bem assim a respeito das consequências óbvias dessa acumulação, que levam a mais acumulação e assim sucessivamente. Nada disse sobre a forma de governo. Isto é coisa dos bolcheviques. Marx era um filósofo [da miséria, é verdade] que passou grande parte da existência à custa de Engels. Já Lênin e Trotsky eram revolucionários pragmáticos e… sanguinários. Por essa razão tornaram-se os pais do totalitarismo, digamos operacional (a revolução justifica tudo, os seus [dela, revolução] oponentes não precisam ser convencidos ou derrotados à base de argumentos e pleitos: devem ser aniquilados); 2ª) misturar Marx com Keynes não é apropriado. O economista britânico nunca foi sequer socialista. Na verdade, suas ideias salvaram o capitalismo graças à visão do estadista Franklin D. Roosevelt e seu New Deal, na década de l930. E foi muito azar — neste caso de todo o mundo ocidental — que os espertalhões do capital estéril não tenham permitido a adoção das suas propostas e argumentos expendidos por Keynes na Con­ferência de Bretton Woods, em 1944, quando foram criados o FMI e o Banco Mundial. Pelo menos os especuladores teriam ficado menos ameaçadores do que são hoje, menos extragalácticos em sua desmesurada ambição de ganhar sempre — o que até mesmo o capitalismo moderno já considera um exagero.

Portanto, o keynesianismo não significa nenhuma hipotética “tran­sição” para o socialismo, como parece temer o articulista. Key­nes nunca foi de esquerda — tanto assim que ele mesmo se definia como um “economista burguês”. O único fato comum entre Marx e o lorde britânico é que o primeiro faleceu em 1883, mes­mo ano em que nasceu o segundo. É bem verdade que se pode dizer do inglês que ele nunca foi um insensível monetarista como Milton Friedman ou um ultraliberal como Hayek. Ele procurou dourar a pílula do capitalismo. Como este é um sistema que produz crises esporádicas [e inevitáveis], Keynes sempre voltará à cena — mas sem nenhum perigo para os idólatras do vil metal.

Fonte: http://jornalopcao.com.br/posts/reportagens/o-diz-que-diz-dos-economistas

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